Ambientalismo, ecologia, formigas, escotismo, política, religião. Um formigueiro humano como cenário de um romance.
Agora, após inúmeros livros de cunho científico e didático, Edward O. Wilson resolveu escrever seu primeiro romance. Aos 81 anos! Ainda sem tradução, encarei a versão original em inglês mesmo. Não sabia o que esperar. Para falar a verdade, apesar da enorme curiosidade, minhas expectativas eram um pouco baixas. Um naturalista metido a escritor de ficção? Será que funciona?
Funciona. E como. Aliás, não sei como. Não sei como ele conseguiu mesclar de forma tão interessante estilos literários tão diferentes. Partindo de um garotinho que faz as vezes de um Tom Sawyer comportado, que cresce e se torna um ambientalista, o livro ainda conta uma passagem sobre a vida em um formigueiro (sob a ótima das próprias formigas) e termina com uma verdadeira cena de filme de ação. Ou seja, cada vez que a história começa a ficar meio monótona e previsível, E. O. Wilson muda o tom da conversa.
Gostei. Não foi o melhor romance que já li - mesmo porque prefiro ficção científica "de verdade", com direito à naves espaciais, robôs e formas de vida alienígenas - mas com certeza ANTHILL me surpreendeu. Recomendo ao menos a leitura das "Crônicas de um formigueiro", ou seja lá como estes capítulos serão traduzidos. As crônicas podem ser lidas independente do resto do livro e abordam de forma cientificamente impecável o micro-universo dos formigueiros em constante e eterna competição. O trecho que transcrevo abaixo particularmente me emocionou.
(...) The sick and injured received no care. In fact, they avoided such attention, moving on their own to the outermost nest chambers. The disabled were among the colony´s most agressive fighters. Dying workers often left the nest completely, thereby avoiding the spread of infectious diseases.
Older workers that stayed healthy but were approaching the end of their natural life-span also migrated to the nest perimeter. From there they were prone to become foragers, leaving the nest to search for food, which exposed them to a much higher risk from enemies. When defending the nest, elders were among the most suicidally aggressive. They were obedient to a simple truth that separates our two species: where humans send their young men to war, ants send their old ladies. (p.189-190)




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