01 Junho, 2010

Existe mesmo plástico biodegradável?



Alguém aí já se perguntou se aquelas novas sacolas plásticas biodegradáveis realmente se degradam em pouco tempo, como os fabricantes prometem? Pois a Mimirabolantes resolveu fazer a experiência, e levantou uma questão controversa. Existe mesmo plástico biodegradável?

Sinceramente não sei muito sobre o assunto. Já ouvi boatos de que essas sacolas apenas se quebram em pequenas partículas, as quais seriam muito mais danosas para o meio ambiente. Pesquisando, descobri que sim, existem plásticos biodegradáveis. Aliás, muitos tipos, cada um com seus prós e contras.

Aqui vai um pequeno resumo:


Este é um material disponibilizado pelo OxoBiodegradable Plastics Institute. Gostei porque logo no início eles já deixam claro que o instituto é "uma associação comercial que representa os interesses de uma das tecnologias discutidas". Pelo menos foram francos! Eles dividem os plásticos biodegradáveis em três tipos:

1 - Produzidos a base de resinas plásticas tradicionais (como o polietileno) e amido. O amido pode ser degradado por microrganismos, mas as resinas não, permanecendo sob a forma de partículas no ambiente.
2 - Plásticos hidrobiodegradáveis, que se quebram em pequenos pedaços durante a reação com a água, e então podem ser digeridos por microrganismos.
3 - Plásticos oxi-biodegradáveis, que são feitos de polímeros tradicionais com o acréscimo de catalisadores. Estes catalisadores quebram o polímero em pequenas partículas sobre as quais microrganismos podem agir.

As dificuldades em relação aos plásticos biodegradáveis seriam: alto custo de produção, menor desempenho destes plásticos (que por vezes são menos resistentes) e dificuldade de garantir a rápida degradação sob fatores ambientais diversos e fora do controle dos fabricantes (temperatura, luz).



Este é um artigo de revisão publicado pelo International Journal of Molecular Sciences. Primeiramente, esclarece o conceito de "bio-plástico", que é confuso, pois refere-se tanto aos plásticos biodegradáveis como aqueles que são produzidos com matéria-prima renovável. Exemplificando: alguns plásticos são produzidos a partir de petróleo e mesmo assim podem ser biodegradados (como policaprolactona e polibutileno-sucinato); alguns plásticos são produzidos a partir de biomassa renovável e também são biodegradáveis (como o polihidroxibutirato, produzido a partir do bagaço da cana) e alguns plásticos, apesar de serem produzidos a partir de fontes renováveis, não são biodegradáveis (como o polietileno e o nylon 11).

A biodegradação dos plásticos oferece as vantagens de aumentar a fertilidade do solo e reduzir os custos do manejo do lixo. Os autores ainda ressaltam um detalhe importante: a biodegradação por microrganismos depende da distribuição dos mesmos no ambiente (tanto em quantidade como em variedade) e das condições que permitem o desenvolvimento destes microrganismos (temperatura, pH, nutrientes, oxigênio...). Assim, microrganismos que degradam polihidroxibutirato, poli-propiolactona e policaprolactona são amplamente distribuídos em vários tipos de ambientes. Já os microrganismos de degradam polibutileno-sucinato e polilactide não são tão comuns.

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Pesquisar o assunto foi muito instrutivo para mim. Fiquei chocada com algumas opiniões falaciosas publicadas em um periódico nacional, sobre produção de plásticos e reciclagem. Me recuso a sequer comentá-las aqui. Agora estou curiosa para ver o resultado do experimento da Mimirabolantes, que vai depender do material com que foi produzida a sacola, e também da idoneidade do fabricante. Esse cara de Cascavel-PR obteve péssimos resultados com sacolas oxi-biodegradáveis...

Quer saber mais? Esse artigo aqui trata entre outras coisas das diferentes técnicas utilizadas para avaliar a biodegradação de plásticos em testes de laboratório (em inglês).

5 comentários:

ASSOCIAÇÃO DOS TECNICOS EM POLÍMEROS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO disse...

OLA !!!

SOU PAULO F. MACHADO, (DOM PAULO DE BEL), TÉCNICO EM POLÍMEROS FORMADO NA FAETEC-RJ E COM MUITO APRENDIZADO PELO INSTITUTO DE MACROMOLÉCULAS ELOISA MANO LIGADO A UFRJ.

PARTICIPO DE TODOS OS EVENTOS QUE CONSIGO SOBRE POLÍMEROS E QUASE TODAS AS PALÉSTRAS FALA-SE SOBRE ESSE PRODUTO.

PERCEBO QUE HÁ UMA INFLAMAÇÃO SOBRE AS SACOLAS PLÁSTICAS OFERECIDAS NOS MERCADOS. MAS SE VOLTARMOS ATRAZ, HAVIA TAMBEM, UMA CAMPANHA CONTRA AS GARRAFAS PET E QUE HOJE, MESMO CONTINUANDO A INFESTAR OPS RIOS, LAGOAS E MARES DO NOSSO PAÍS, NÃO SE HOUVE MAIS AQUELA EUFORIA SOBRE AS MESMAS. PORQUE SERÁ????

SERÁ QUE UMA COCA-COLA DA VIDA ENTROU NA BRIGA CONTRA AS VOCIFERAÇÕES DE AMBIENTALISTAS RADICAIS???

OU SERÁ QUE ESGOTADO AS PALAVRAS CONTRA AS GARRAFAS, PERCEBERAM QUE O REPROCESSAMENTO DO PRODUTO PODE TRAZER BENÉFICIO??

QUANTO ÁS SACOLAS PLÁSTICAS PODE HAVER A MESMA COISA.

MINISTROS E SECRETÁRIOS DE MEIO AMBIENTE DEVERIAM FORMAR UMA COALISÃO PARA TRATAR DESSE ASSUNTO PENSANDO NO REPROCESSAMENTO DO PRODUTO.

ISSO GERARIA TUDO DE BOM PARA O PAÍS. MAIS EMPREGOS, MAIS ARRECADAÇÃO, MAIS, MAIS, MAIS E MAIS DE TUDO. FAVORECERIA A POPULAÇÃO E AOS GOVERNOS. MENOS FALAÇÃO E MAIS AÇÃO E SOLUÇÃO PARA UMA COISA QUE HOJE, É PROBLEMA.

QUATO AOS PRODUTOS BIODEGRADAVEIS ACHO QUE DEVEM SER CHAMADOS DE PRODUTOS COM DEGRADAÇÃO INDUZIDA, POIS OS BIOS SÃO MUITO MAIS DIFICEIS DE ACONTECER EM PORODUTOS QUIMICOS DESSA NATURESA. JÁ OS DE DEGRADAÇÃO INDUZIDA ESTARIAM MAIS VULNERAVEIS A AÇÃO DO AGENTE DE DEGRADAÇÃO. ISTO É, O PRODUTO BASE (plástico) SER ATACADO PELO AGENTE DE DEGRADAÇÃO, PRODUZINDO O SEU FIM. É O QUE SE TENTA FAZER ATÉ HOJE E NÃO SE ENCONTROU, AINDA, A TAL FORMULA CERTA.

AINDA NÃO SE ACHOU UM PLÁSTICO “BIO” DEGRADAVEL DE VERDADE, ATÉ HOJE, SOMENTE TEMOS OS DE DEGRADAÇÃO INDUZIDA. ALGUEM SABE ME DIZER O QUE DEGRADA PETROLÉO???

ESSA DIFERENÇA NOMINAL “BIO” E “INDUÇÃO” SÃO A CHAVE PARA A SOLUÇÃO DO PROBLEMA. – BIO, TRADUS QUE DEGRADE POR SI SÓ, COMO O NOSSO CORPO, APÓS A MORTE. INDUÇÃO, JÁ NOS REMETE A AÇÃO DE AGENTES AGREGADOS AO PRODUTO BASE PARA POSTERIOR AÇÃO DE DEGRADAÇÃO. COMO A ADIÇÃO DE OXIDOS, TEMPERATURA, PH ETC..

OS PLÁSTICOS QUE TEMOS POR AI, ATÉ AGORA SÃO DE DEGRADAÇÃO INDUZIDA. FALTA DESCOBRIR A FORMULA PARA UMA DEGRADAÇÃO TOTAL. E É ISSO QUE NÃO SE TEM ATÉ AGORA. QUEM ENCONTRAR ESSA SOLUÇÃO COLOCARÁ O NOME NA ESTÓRIA.

TEMOS QUE MUDAR ESSE NOME DE “BIO” PAR OUTRO QUE IDENTIFIQUE A DEGRADAÇÃO INDUZIDA. QUETAL “INDUDEGRADAVEL”.

TEMOS QUE APRENDER A TIRAR ALGUM PROVEITO DO QUE NÃO É BOM. SE O PLASTICO NÃO SE DEGRADA POR INTEIRO, VAMOS APRENDER A REUTILIZAR O QUE SOBRA DELE.

NÃO FOI ASSIM QUE A INDÚSTRIA PETROQUIMICA APRENDEU A UTILIZAR O GÁS QUE SE JOGAVA FORA NO AR???
QUANDO SE QUER SE FAZ.

SOU DOM PAULO DE BEL,
TÉCNICO EM POLÍMEROS
(21) 9288 7638 - (21) 9661 5709
SINDICATO DO POVO – UM GRITO PELO SEU DIREITO

Anônimo disse...

Prezada Natália,
Por gentileza, gostaria de fazer alguns comentários.
Inicialmente em relação ao trabalho que está disponível como sendo da Mimirabolantes.
Embora eu não tenha conhecimento da tecnologia que foi testada, e acreditando que a intenção dos estudos foi a melhor possível, existem alguns erros que em nada ajudam o leitor a entender os fatos:
Quem realizou os testes utilizou norma EN 13432 que mede a biodegradação de plásticos em ambiente de compostagem. Mas não é norma de biodegradação coisa nenhuma. Por sinal, está escrito EM, quando na realidade é EN. Plásticos aprovados de acordo com esta norma são rotuláveis como compostáveis. No entanto, plásticos que não atendem esta norma não deixam de ser biodegradáveis.
Não está correto testar plásticos oxibiodegradáveis com norma de compostagem. Plásticos oxibiodegradáveis, ao menos aqueles que são por nós representados, estão em conformidade com o padrão ASTM 6954-04.
Os métodos usados no trabalho em referência não têm qualquer embasamento em normas e padrões de testes. Portanto, não creio que terão alguma utilidade científica.
Plásticos oxi-biodegradáveis são normalmente testados segundo a ASTM D6954-04 - Guia Padrão de Exposição e Testes de Plásticos - que degradam no meio ambiente por combinação de Oxidação e Biodegradação.
Os testes de acordo com a ASTM D6954-04 informam à indústria e aos consumidores o que eles precisam saber - se o plástico é (a) degradável (b) biodegradável e (c) não eco-tóxico.
Por: Gerald Scott, Professor Emeritus of Polymer Science at Aston University, UK; chairman of the BSI Committee on Biodegradability of Plastics; and chairman of the Scientific Advisory Board of the Oxo-biodegradable Plastics Association
Fonte: http://www.packagingtoday.co.uk:80/story.asp?sectioncode=42&storycode=60706&c=3
Outras informações sobre o assunto:
http://www.rapra.net/consultancy/biodegradable-plastic.asp
Atenciosamente
Eduardo Van Roost

Tata disse...

Fico feliz que o post tenha causado polêmica, pois o assunto é complexo mesmo. Como consumidora, é de meu interesse também conhecer a opinião de quem trabalha com a fabricação destes materiais.

Como já disse no post, o resultado do experimento da Mimirabolantes vai depender de muitos fatores e não comprova se o produto é ou não biodegradável, já que cada tipo de plástico exige um conjunto de condições específicas (temperatura, pH, luz, microrganismos específicos, etc) para degradar.
O que o experimento demonstra são as dúvidas que permanecem entre os consumidores, devido ao marketing verde que é feito em cima destas sacolas biodegradáveis.

Paulo: desculpe, não sou contra a produção de plásticos (sejam eles biodegradáveis ou não) e reconheço todos os avanços que este material trouxe para o nosso dia-a-dia. Mas não posso concordar com sua produção exacerbada e irracional, como se a reciclagem fosse resolver todos os problemas. E isso vale tanto para sacolas plásticas como para garrafas pet.

Mimirabolante disse...

Concordo com vc ,Tata.....o experimente tem mais a ver com a pp curiosidade de uma consumidora.....
temos que estar atentas com o qubjcase nos oferecem.....não podemos somente engolir a propaganda.....

Dom Paulo - Adm. de Mensagens. disse...

RESUMINDO:

NÃO EXISTE, AINDA, NO MERCADO UM PLÁSTICO QUE SEJA TOTALMENTE BIO-DEGRADAVEL. O QUE QUE EXISTE, ATÉ O MOMENTO SÃO PLÁSTICOS QUE SE TRANSFORMAM EM MINÚSCULAS PARTICULAS E QUE PERMANECEM MISTURADOS NO AMBIENTE.

NÃO ADIANTA ENTERRAR SOB O SOLO NEM FAZER COISA NENHUMA, PORQUE, O PLÁSTICO NÃO SOME.

COMO JÁ DIZIA LAVOISIER, NADA SE CRIA NADA SE PERDE, TUDO SE TRANSFORMA.

ALGUMAS INDÚSTRIAS TRABALHAM EXAUTIVAMENTE NA BUSCA DE UM PRODUTO QUE REALMENTE POSSA AMENIZAR ESSE PROBLEMA, MAS, AINDA NÃO É TOTALMENTE OPORTUNO SE FALAR EM TOTAL DEGRADAÇÃO.

ESTAMOS CAMINHANDO E, UM DIA, CHEGAREMOS LÁ.

FALA-SE EM PRODUTOS ORIGINADOS DE VEGETAIS, MAIS AINDA É CEDO PARA TAL AFIRMAÇÃO.

A GRANDE SACADA É TRABALHAR NO REPROCESSAMENTO DOS PRODUTOS QUE HOJE EXISTEM TRANFORMANDO-OS EM NOVOS PRODUTOS E ECONOMIZANDO O OURO NEGRO, MAS, COMO TODO PRODUTO PLÁSTICO VEM DOS GASES PRODUZIDOS DO PETRÓLEO TEMOS QUE DAR UM DESTINO AOS MESMOS ANTES DE QUIMA-LO PARA UM SIMPLES DESCARTE.

REPROCESSAR OS POLÍMEROS PODE TRAZER MUITOSBENÉFICIOS OAS NOVOS PRODUTOS. SABEMOS QUE O PET, (POLITEREFITALATO DE ETILENO) QUANDO REPROCESSADO ADQUIRE MELHORES PROPRIEDADES. TANTO QUE A ANVISA, NÃO QUERIA LIBERAR ESSE PRODUTO PARA SER REUSADO, DEPOIS DE REPROCESSADO (PROCESSO DE DECOMPOSIÇÃO E RECOMPOSIÇÃO)MOSTROU QUE TORNA-SE BEM MAIS PURO E COM MELHORES CONDIÇÕES DE USO, MAS FOI VERIFICADO QUE PODE SER USADO COMO NOVAS EMBALAGENS SENDO RESTRINGIDO SEU USO SOMENTE PARA MEDICAMENTOS.

SE PUDERMOS ALCANÇAR, PARA TODOS OS OUTROS POLÍMEROS, UMA MANEIRA DE REPROCESSO (DECOMPOSIÇÃO E RECOMPOSIÇÃO) CERTAMENTE SUBSTITUIRIAMOS A DEGRADAÇÃO E MINIMIZARIAMOS OS IMPACTOS AMBIENTAIS.

SOMOS CIENTISTAS E PESQUISADORES PARA ISSO, ALCANÇAR OS OBJETIVOS E RESOLVER OS PROBLEMAS DO MUNDO MODERNO.

SOU DOM PAULO DE BEL
TÉCNICO EM POLÍMEROS

ASSOCIAÇÃO DOS TÉCNICOS
EM POLÍMEROS DO ESTADO DO
RIO DE JANEIRO, A SERVIÇO
DO BEM ESTAR DA HUMANIDADE.